Uma Nota Sobre Confiança

Um problema pelo qual eu passei muito tempo atrás foi revivido essa semana por um acontecimento que eu não quero descrever. Ele envolve confiança, traição e escolhas. Minha pergunta é: quando você é forçado a tomar uma decisão que vai trair uma pessoa que confia em você, como você toma essa decisão?

Você é amigo de um casal de namorados, e sabe que um traiu o outro. Você conta, e trai a confiança daquele que confia em seu silêncio, ou não conta, e trai a confiança daquele que confia em sua sinceridade? Essa foi a pergunta que eu fiz a várias pessoas essa semana. Para minha surpresa, a maioria esmagadora das pessoas preferia acobertar o caso. Fica claro um dos critérios utilizados para tomar a decisão: evitar conflitos. Outra resposta que recebi foi que você escolheria quem é mais seu amigo. Essa faz mais sentido. Trair uma pessoa com a qual você se importa menos no lugar de uma que te importa mais. Mas isso não funciona quando os dois estão no mesmo “nível de amizade”. Essas são as duas visões majoritárias que eu pretendo analisar e confrontar com a minha maneira de pensar. Vou usar termos mais gerais, pois apesar da pergunta ter sido sobre um namoro, o questionamento se aplica a qualquer tipo de acontecimento.

Primeiro: a de acobertar o caso para evitar conflitos. É tapar o Sol com uma peneira. Você está escondendo um problema ao invés de ajudar as pessoas a enfrentá-lo. Seja qual for o problema, deixar que uma pessoa engane outra SÓ para que eles não briguem, NÃO pode ser a melhor opção, certo? Talvez. Existe a possibilidade de algo estar acontecendo entre eles e você não saber, existe a possibilidade de ser um erro que, caso não se espalhe, não se repetirá e não prejudicará em nada o relacionamento deles. Evitar esse conflito seria correto então? Acho que sim. No entanto, pode ser que o comportamento não seja isolado e que você esteja encobrindo alguém que realmente não mereça confiança. É uma responsabilidade que você leva com você se decidir acorbertar o(a) traidor(a). Eu tendo a acobertar a pessoa uma vez, e dar algum tempo ao tempo, observando sempre que possível. Se o comportamento não for isolado, eu conto tudo mesmo e que se foda. Acho que é o melhor jeito de fazer as coisas.

Agora, a outra opinião é a de escolher a pessoa que você gosta mais e ficar do lado dela. Não concordo. Utilizar sua amizade como motivo para acobertar uma cagada de alguém não é produtivo para a pessoa. Ela precisa aprender que está errada. Eu acredito que se você realmente for amigo dessa pessoa, você deve dar a cara a tapa e mostrar que não concorda com ela. Fazer o correto. Afinal, se você não tem receio em provocar o conflito entre dois de seus amigos, não deveria ter receio de provocar conflito entre você e algum amigo.

Acho que a conclusão que eu tiro disso tudo é a mesma de um outro texto um pouco mais antigo: Saiba quem é você e no que você acredita e viva de acordo com seus ideais. Não passe passe por cima do que você acredita por ninguém, amigo, irmão, pai ou mãe. E fica o conselho: se eu for amigo da sua namorada NUNCA me deixe saber que você traiu ela.

 

Uma resposta para “Uma Nota Sobre Confiança”

  1. Camila Disse:

    Adorei. E eu concordo com você, essa é uma situação realmente difícil e talvez eu reagisse da mesma maneira que você, primeiro iria verificar se o caso é isolado. Porém eu com certeza daria várias broncas na pessoa que traiu.

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