Uma Nota Sobre o Medo

janeiro 25, 2012

Medo. Eu sinto. Você sente. O que fazer? Como você reage? Te olho no olho e pergunto: medo é o bastante? Você me diz que é. Não aceito. Não pode ser.

Que temes? Qual o motivo? Sofrer? Causar dor? Você não pode me machucar assim. Não mais do que se continuar fugindo.

Não sofro por mim. Já aprendi que tudo acaba, algumas vezes sem nem ter começado. Sofro por você, que não se dá o direito de viver. Sofro por você que por medo do fim, foge do começo. Por medo do risco de avançar, simplesmente para.

Sofro por você que pode, um dia, se ver sentado num quarto chorando com os olhos fixos em uma fotografia, lamentando o que o medo não lhe permitiu viver.

Coragem a você que teme. Não a coragem do louco, daquele que não sabe o que é o medo. Desejo-te a coragem do herói. A coragem daquele que avança não sem medo, mas apesar dele. Daquele que mesmo sabendo que cair vai doer, se joga pronto para se levantar.

Viva. Não sem medo, mas apesar dele.

Uma Nota Sobre Democracia e o Autoritarismo

janeiro 9, 2012

“It has been said that democracy is the worst form of government except all the others that have been tried.”

Sir Winston Churchill

Em uma livre tradução, o que Churchill diz é que “a democracia é o pior sistema de governo já inventado, salvo todos os outros”. A idéia é bem simples: essa tal de democracia é uma merda, mas infelizmente ninguém teve uma idéia melhor até agora. Alguns pontos precisam ser esclarecidos para que essa frase faça sentido: Nenhuma forma de governo é isenta de defeitos e de qualidades. Mesmo o totalitarismo Nazista tinha qualidades, afinal Hitler transformou a pilha de escombros que era a Alemanha depois da primeira guerra mundial em um país com poder o bastante para demoniar quase que toda a Europa em cerca de 30 anos (se não me falha a memória).  Quais são, então, as qualidades e defeitos da Democracia?

A maior qualidade da democracia é igualdade entre pessoas. Não importa quem é você, seu voto vale um voto. Não importa quem é você, as leis se aplicam a você da mesma forma. A palavra chave para a democracia é a igualdade. Cada cidadão tem o direito de dar a sua opinião sobre o que considera ser o melhor para o Estado, e cada opinião tem o mesmo valor.

O maior defeito da Democracia hoje é, no entanto, a igualdade. O voto de alguém que estuda cada candidato, suas idéias, seus planos para o governo, seu histórico tem o mesmo peso do que o voto de alguém que votou no cara que falou bonito na TV. Alie-se isso a uma população sem acesso a informação e/ou sem a capacidade de compreendê-la, e o que se tem é uma política que depende única e exclusivamente de marketing. Não de ideais ou de propostas de fato, mas de propaganda.

Eu vejo a democracia como um sistema que tem um problema fundamental que nunca poderá resolvido: como o futuro da nação depende de todos os cidadãos, mesmo assumindo que todos eles são instruídos, nunca haverá um consenso sobre o que é melhor e o egoísmo de vários grupos nunca permitirá uma nação verdadeiramente unida.

Vejamos agora um sistema de governo autoritário. Sua maior qualidade é que, graças a concentração do poder, decisões importantes podem ser tomadas com velocidade e eficiência mesmo que venham diretamente ao encontro de interesses privados (coisa que os lobistas não permitem numa democracia).

O maior problema do autoritarismo é que o governo tem o poder de reprimir quem o contraria. É comum (pra não dizer necessário) que governos autoritários cacem e destruam suas oposições. Como não há ninguém exercendo nenhuma pressão sobre o governo autoritário, o egoísmo do grupo no controle tende a querer se manter lá para sempre, e passa a governar para ele próprio, esquecendo a população em geral.

Digo que o governo autoritário não é um SISTEMA de governo pior que a democracia pelo seguinte motivo: se o grupo no poder durante um governo autoritário tiver, de fato, os interesses da população em geral como prioridade, ele pode alcançar esses objetivos de maneira mais rápida e eficiente. Em uma situação ideal, ele funcionaria para o bem da população como um todo com maior facilidade do que a democracia. O problema é que, até hoje, nenhum governo autoritário teve como foco os interesses da população como um todo.

Me parece então que, no fim das contas, dependemos tanto numa democracia quanto num governo autoritário de pessoas que se preocupem com o bem da população em geral e não com seus próprios interesses. A diferença é que, num governo autoritário, precisamos de MENOS pessoas que se interessem pelo bem do povo mais do que com seus próprios interesses.

Como SISTEMA DE GOVERNO, o autoritarismo me parece funcionar melhor, desde que nas mãos das pessoas certas. Por que então dizia Churchill que a democracia é melhor? Por que as pessoas certas não existem. Não creio que exista hoje um grupo de pessoas envolvidas com governos que realmente tenham como interesse o bem de todos no país. É melhor então que se mantenham os grupos lutando democraticamente entre eles para agradar o povo e ganhar as próximas eleições. As melhoras serão lentas (já dizia Maquiavel¹, o bem deve ser feito lentamente, apenas as decisões desagradáveis devem ser resolvidas rapidamente) mas acontecerão, pois todos os grupos dependem do povo para chegar ao ou continuar no poder.

1 – Não tenho certeza se foi o Maquiavel mesmo que escreveu aquilo, mas tenho forte impressão de ter sido.

Uma Nota Sobre Humanos e Animais

janeiro 2, 2012

E hoje começou uma onda de protestos online contra uma mulher que matou um cachorro a pauladas ou algo assim (eu não pretendo ver o vídeo). Some-se a isso a época de natal, onde posts do tipo “a noite de natal não é feliz para o peru” começam a aparecem com uma frequência incrível, e me deu vontade de escrever algo sobre a estranha relação dos humanos com os animais.

Começando com os posts do peru, devo dizer que acho isso uma idiotice sem tamanho. Vejo a torto e a direito pessoas que defendem o veganismo dizendo que comer carne é um assassinato, uma crueldade e coisas desse tipo. Uma novidade para aqueles que acham que humanos são cruéis com os animais por comê-los: nós não somos nem um pouco mais crués que a PRÓPRIA NATUREZA. Ou você acha que quando uma leoa mata um gnu, ele está preocupada em não fazer ele sofrer? Ela não está. Ele fica lá esguelando de dor enquanto é comido VIVO. Eu acho os tiros de pistola de ar usados em matadouros muito menos cruéis que isso. Matamos animais para comer sua carne porque a carne é necessária para uma dieta humana saudável. A carne não pode ser, ainda, substituída por qualquer outra forma de alimento (por isso veganos tomam suplementos de vitamina B-12, que é caro demais para a população normal pelo menos no Brasil).

Falando agora do caso da enfermeira que matou o cachorro: é uma criminosa, sem dúvida. Alertem as autoridades e ponto. Pra que esse fuzuê todo? Pra que serve essa manifestação toda de ódio contra essa imbecil? Nenhum ser humano no mundo vai começar a se importar mais ou menos com os animais por isso. Se o camarada não se importa com os animais a ponto de maltratá-los, ver outra pessoa fazendo o mesmo não vai mudar nem sua opinião nem seu jeito de agir. Me respondam então, qual o PROPÓSITO desse protesto online? Tornar a vida da moça um inferno? Uma vingança infantil por alguém ter feito algo que você não gostou? Não faz muito sentido pra mim.

Agora vem a pergunta que eu realmente quero fazer nesse post: Será que nos importamos mais com animais do que com outros seres humanos? Às vezes me parece que sim. Vejo pessoas fazendo um escarcéu por um cachorro morto, mas não vejo pessoas se mobilizando contra políticos e empresas corruptas (não sei por que aqui só lembramos do lado público da corrupção, os brasileiros preferem esquecer que empresas e cidadãos também são corruptos… por que será né?). Vários dos que publicam esse tipo de mensagem se recusam a participar de discussões mais sérias sobre assuntos de relevância real, como a descriminalização das drogas ou do aborto. Quando um homem foi preso por assassinar sua mãe, não houve revolta. Ele virou uma piada. “Morre diabo”. A mãe desse cidadão é menos importante que um cão?

No mesmo dia em que o cãozinho da enfermeira foi morto, notícias sobre moradores de rua sendo espancados até a morte foram veículadas. Nenhuma repercussão. Só a porra do cachorro. A fome mata milhares de crianças na África todos os dias, e não vejo protestos tão veementes, não vejo ninguém declarando seu ódio assassino por aqueles que em nome de suas fortunas matam crianças que trabalham como escravas.

Isso me lembre uma fala de um personagem perturbador: “Eu descobri que ninguém entra em pânico quando tudo está indo ‘de acordo com o plano’. Se eu disser que 10 bandidos quaisquer vão morrer, não tem problema. Faz parte do plano. Mas é só eu ameaçar matar um prefeitinho, que todo mundo começa a perder a cabeça.” Ninguém se preocupa com crianças morrendo de fome, por que “é normal”.

A você que replicou mensagens de ódio contra a enfermeira do cachorro mas não se esforça nem um pouco para tornar o mundo melhor para as pessoas que vivem nele, fica meu pedido: reveja suas prioridades.

Uma Nota Sobre Confiança

dezembro 6, 2011

Um problema pelo qual eu passei muito tempo atrás foi revivido essa semana por um acontecimento que eu não quero descrever. Ele envolve confiança, traição e escolhas. Minha pergunta é: quando você é forçado a tomar uma decisão que vai trair uma pessoa que confia em você, como você toma essa decisão?

Você é amigo de um casal de namorados, e sabe que um traiu o outro. Você conta, e trai a confiança daquele que confia em seu silêncio, ou não conta, e trai a confiança daquele que confia em sua sinceridade? Essa foi a pergunta que eu fiz a várias pessoas essa semana. Para minha surpresa, a maioria esmagadora das pessoas preferia acobertar o caso. Fica claro um dos critérios utilizados para tomar a decisão: evitar conflitos. Outra resposta que recebi foi que você escolheria quem é mais seu amigo. Essa faz mais sentido. Trair uma pessoa com a qual você se importa menos no lugar de uma que te importa mais. Mas isso não funciona quando os dois estão no mesmo “nível de amizade”. Essas são as duas visões majoritárias que eu pretendo analisar e confrontar com a minha maneira de pensar. Vou usar termos mais gerais, pois apesar da pergunta ter sido sobre um namoro, o questionamento se aplica a qualquer tipo de acontecimento.

Primeiro: a de acobertar o caso para evitar conflitos. É tapar o Sol com uma peneira. Você está escondendo um problema ao invés de ajudar as pessoas a enfrentá-lo. Seja qual for o problema, deixar que uma pessoa engane outra SÓ para que eles não briguem, NÃO pode ser a melhor opção, certo? Talvez. Existe a possibilidade de algo estar acontecendo entre eles e você não saber, existe a possibilidade de ser um erro que, caso não se espalhe, não se repetirá e não prejudicará em nada o relacionamento deles. Evitar esse conflito seria correto então? Acho que sim. No entanto, pode ser que o comportamento não seja isolado e que você esteja encobrindo alguém que realmente não mereça confiança. É uma responsabilidade que você leva com você se decidir acorbertar o(a) traidor(a). Eu tendo a acobertar a pessoa uma vez, e dar algum tempo ao tempo, observando sempre que possível. Se o comportamento não for isolado, eu conto tudo mesmo e que se foda. Acho que é o melhor jeito de fazer as coisas.

Agora, a outra opinião é a de escolher a pessoa que você gosta mais e ficar do lado dela. Não concordo. Utilizar sua amizade como motivo para acobertar uma cagada de alguém não é produtivo para a pessoa. Ela precisa aprender que está errada. Eu acredito que se você realmente for amigo dessa pessoa, você deve dar a cara a tapa e mostrar que não concorda com ela. Fazer o correto. Afinal, se você não tem receio em provocar o conflito entre dois de seus amigos, não deveria ter receio de provocar conflito entre você e algum amigo.

Acho que a conclusão que eu tiro disso tudo é a mesma de um outro texto um pouco mais antigo: Saiba quem é você e no que você acredita e viva de acordo com seus ideais. Não passe passe por cima do que você acredita por ninguém, amigo, irmão, pai ou mãe. E fica o conselho: se eu for amigo da sua namorada NUNCA me deixe saber que você traiu ela.

 

Uma Nota Sobre Mulheres Normais x Homens Decentes

março 16, 2011

Você, caro amigo homem, já ouviu uma mulher dizer: “Homem é tudo igual!!! Nenhum presta!!”. Se não ouviu, ouvirá. Eu ouvi essa frase um bazilhão de vezes. No começo ou pensava que isso era bom. Se a grande maioria dos homens não prestasse mesmo, eu, por prestar, um dia ficaria com a mulher que eu quisesse. Mas aí o tempo foi passando e eu notei que eu não pegava ninguém. E foi aí que eu vi que todos os que prestavam, não pegavam ninguém também. E foi aí que eu percebi. Os homens não são todos uns canalhas. MAS AS MULHERES SÓ CORREM ATRÁS DOS IMBECIS. Quanto mais sincero, mais correto você for com elas, pior pra você. Ontem eu posso ter tido uma luz do por que, então escreverei aqui o que eu pensei.

Sempre que um homem e uma mulher estão começando a ficar juntos, o homem começa a querer transar com ela. O pensamento sobre a possibilidade de um relacionamento vem bem depois da vontade de sexo. A mulher, por uma noção torta de valorização, resiste o quanto for possível. Os homens ao longo de tempo aprenderam que alguns comportamentos os ajudam a fazer sexo mais rápido, mesmo que isso implique não ser…. digamos….. completamente sinceros (pra não dizer grotescamente falsos) com a parceira. O problema é que essas formas costumam despertar nas mulheres a vontade de manter um relacionamento sério. Aí o fim é simples: o homem consegue comer a mulher e, só então, começa a pensar na possibilidade de um relacionamento. Quando a mulher resolve dar pro homem, ela já está certa de que o relacionamento está a caminho. O homem normalmente morre de medo de relacionamentos sérios, então normalmente ele não resolve levar o relacionamento a diante, e aí a mulher leva uma bota.

Isso é o que acontece quando o cara resolve lançar mão das táticas que envolvem falsidade. Vamos ver agora o que acontece quando o cara não as usa.

Quando o cara não está interessado em ficar com a menina logo de cara, eles ficam amigos. Aí há tempo para os dois se conhecerem, sem que nenhum deles minta para o outro para conseguir sexo rápido. Mas como as mulheres tem problemas em ficar com amigos (coisa que já discuti em outro texto), o coitado não terá, nunca mais, chance de ficar com ela. Aí se ele se apaixonar por ela depois, SE FODEU. O mesmo acontece com o cara que se apaixona antes. Ele não vai querer enganar a mocinha, e aí ele tenta conhecê-la. Nesse processo, eles se tornam amigos e ele se FODE também.

Ou seja, o coitado que está sendo correto, que poderia construir uma relação de verdade, baseada em conhecimento, confiança sinceridade, esbarra numa barreira, que, pasmem: se chama amizade. Enquanto o cara que não está nem aí pra porra nenhuma faz com que a garota se apaixone por ele rápido (para conseguir transar com ela antes de pensar num relacionamento) “quase” começa um relacionamento. Ou seja: as causas primárias das mulheres acharem que nenhum homem presta são duas: a maneira como cada um dos dois sexos lida com o ato sexual e o problema que as mulheres têm em ficar com seus amigos.

Claro que isso são generalizações, não são todos assim. Mas esse é um padrão que eu já vi se repetir MUITO! MAS MUITO MESMO! Então mulheres, facilitem o sexo para que os medrosos sumam logo ou comecem a ficar com seus amigos, por que eu duvido que os homens filhos da puta cheguem a mudar algum dia.

Uma Nota Sobre Relacionamentos Abertos

março 11, 2011

Ontem conversei com uma amiga minha sobre relacionamentos abertos, e ela me veio com a mesma pergunta que todo mundo vem: “mas se vocês ficam com outras pessoas, qual a diferença entre um namoro aberto e só ficar com alguém?”. Enquanto eu estava num namoro aberto, eu não consigo nem imaginar quantas vezes eu ouvi essa pergunta. Minha resposta para ela foi muito simples: A única diferença entre ficar com alguém e namorar alguém é a fidelidade física? Se você, caro leitor, achar que sim, pare de ler esse texto agora (e se depender de minha, pule de uma ponte amarrado numa bigorna).

A diferença é que o namoro é MUITO mais do que não poder pular a cerca. Muito mais do que uma aliança num dedo ou promessas de filmes água com açucar. Namorar alguém é procurar conhecer essa pessoa, é procurar encontrar na felicidade dela, a sua. E confiem em mim ando eu digo: essa tal de fidelidade, na maioria das vezes, SÓ ATRAPALHA.

Eu digo na maioria das vezes porque existem sim, pessoas que são fiéis por natureza. Que quando envolvidas com alguém, realmente não sentem a vontade de ficar com outras pessoas. Não sei se isso é natural ou socialmente incutido e nem se é saudável, mas existem pessoas assim de fato. Mas elas são a exceção. A maioria das pessoas, se lhes fosse permitido, ficariam com outras pessoas mesmo num estando num relacionamento sério com alguém. Quando elas não o fazem, não o fazem não por não sentir a vontade, mas por não quererem magoar a pessoa com quem estão juntos (numa hipótese agradável, eu creio que na maioria das vezes não o fazem por medo das consequências caso descobertos).

Quando a fidelidade precisa ser imposta, por qualquer motivo que seja, ela cansa. Pode demorar anos, meses ou horas, mas ela cansa. Pode ser que você não termine por isso, mas você se cansa. Você se pergunta “será que eu fiz a coisa certa?” a aí tudo pode desabar. E desaba por que? Por que um dia você vai estar bêbado numa festa, vai aparecer alguém ali, vai pintar aquele clima, você vai ter certeza que ninguém saberá, e vai ficar com outra pessoa. E ninguém saberá mesmo, até você se sentir culpado, contar pra sua amada por que você não se sente bem escondendo algo dela e ela esculachar você dizendo que você não a ama mais.

Aí você vai tentar explicar que só aconteceu por que você estava bêbado, que ela não significava nada para você, que foi só sexo MAS….. boa sorte com isso, NUNCA cola, por mais que seja a mais pura verdade. E aí, um relacionamento bonito, que tinha tudo pra dar certo, vai pro brejo por isso. Tudo culpa da supervalorização do sexo (e por consequência, da fidelidade). Dane-se se você a ama, você TRAIU A CONFIANÇA DELA!

Isso nunca acontece num relacionamento aberto. Nele as pessoas sabem que o que importa é o sentimento, e eles terão a maturidade de terminá-lo caso o sentinmento termine. Por quê? Simples. SÓ o sentimento importa. A única coisa que prende uma pessoa a outra num relacionamento aberto é o sentimento. Quando ele terminar, não há necessidade de continuar com ele.

No entanto é preciso ter força de vontade para se manter num relacionamento desses. Por que você será bombardeado por idiotisses. Pessoas dirão que vocês não se amam de verdade. Dirão que vocês só querem é sacanagem. Que vocês não se importam um com o outro (e as pessoas que dirão isso serão as pessoas que TRAEM AS SUAS NAMORADAS, dá pra acreditar?). Eu mesmo, que não sou uma das pessoas que mais se importa com a opinião alheia, menti algumas dizendo que estava traindo minha namorada, e ELES ACEITARAM ISSO MELHOR QUE O RELACIONAMENTO ABERTO. Dá pra entender? Eu ainda estou tentando.

Em suma, para mim, um namoro trata de um sentimento. É o querer ficar com alguém sempre que possível, não por que você quer que aquela pessoa seja SUA, mas por que você quer que ela seja feliz e acredita que você pode fazer isso. Eu acredito mais nos relacionamentos abertos porque neles você não precisa garantir que a pessoa não vai estar com mais ninguém, por que se ela aceitou estar com você, é por que ela QUER ficar com você. E o fato de você e/ou ela transarem com outras pessoas não vai mudar esse sentimento.

Essa, caros amigos, é a diferença entre ficar com alguém e ter um relacionamento aberto com alguém.

 

 

 

Uma Nota Sobre o Egoísmo Humano

março 10, 2011

É fato que a humanidade é egoísta. Como explicar de outra forma o quão pouco conseguimos ligar para nossos próprios semelhantes? Não há outra forma. Nós nos importamos, primeira e quase que exclusivamente, com nós mesmos. Negue o quanto quiser amigo, mas como eu disse um outro texto anterior, o primeiro passo para que um defeito de caráter possa ser corrigido é assumir sua existência. Eu sou egoísta, sem dúvida. Você que está lendo este texto, TAMBÉM é. Conforme-se, é a verdade. Mas como discutir fatos não faz sentido, vamos a discussão a que este post se propõe: Por que diabos somos TÃO egoístas assim?

Um certo grau de egoísmo é necessário, creio eu, para uma vida emocionalmente saudável. Se você parar de se preocupar com a sua felicidade para se preocupar com a felicidade alheia, você vai se lascar sua vida inteira. Mas nós humanos somo MUITO mais egoístas do que o saudável. Pessoas não se importam de empregar outras pessoas a salários que realmente não dão a eles condições de se alimentar para produzirem com menos custos, aumentando assim SEU próprio lucro. Por quê? Egoísmo. Mas de onde vêm essa vontade de ter mais que os outros?

Há quem culpe o capitalismo por isso, mas se fosse verdade, como explicaríamos o fato de, muito antes de o capitalismo como o conhecemos existir, homens já exploravam homens? Antes de termos sequer a capacidade de pensar no dinheiro como  o conhecemos hoje, homens já exploravam homens. Não amigos, o capitalismo não é o criador dessa cultura de querer sempre mais que os outros. Ele é um produto dela. Ele é a última instância desse egoísmo que temos dentro de nós. Ele justifica esse egoísmo para nós mesmos e para o mundo. Torna-o aceitável e às vezes – por que não? -  bonito. O capitalismo como o conhecemos hoje é a forma de tornar politicamente correta nossa vontade de querer sempre ser melhor do que nosso vizinho do lado.

Mas isso ainda não nos responde, responde? Eu creio que sejamos egoístas por instinto. Somos animais no final das contas, e animais têm instintos. Queremos sobreviver e queremos passar nossos genes à diante. Nossos instintos não ligam para a moral e os bons costumes. Para baixo do córtex frontal, somos gorilas. Mas então, se somos egoístas por instinto, o que fazer? É simples. Lutamos contra nossos instintos. Essa é uma das coisas que nos permitiu chegar onde estamos, a espécie dominadora do mundo. Se não tivessemos essa capacidade, ainda estaríamos nas cavernas. O problema é que deixamos esse instinto solto por tanto tempo, que agora ele cresceu e se tornou um sistema político-econômico! É possível sobreviver nesse mundo hoje, sem se render ao estupro de valores do capitalismo?

Eu digo que é. É possível, mas a maioria de nós não quer. A maioria de nós quer uma Mercedes na garagem, um óculos de 450 reais, uma bolsa de 600 ou tênis de 900. Queremos. Eu tenho minhas vontades fúteis como qualquer um. Daria um braço por uma moto custom, mesmo morando a, no máximo, 15 minutos a pé de qualquer lugar a que eu costume ir. Abrir mão de nossas vontades fúteis não é fácil, eu sei. Mas é uma maneira de não nos rendermos. Se pararmos de comprar pares de tênis de 900 reais, ninguém mais fará pares de tênis de 900 reais. E não nos preocupamos se esse tênis foi feito por uma máquina ou por um chinês ganhando 2 dólares po semana.

Precisamos diminuir o que queremos. Pensa que uma pessoa lucre, por meio de uma empresa, 1 milhão de reais por. Existem pessoas que lucram isso de verdade, acreditem em mim. O que, em nome de Deus, essa pessoa pode precisar que não consegue comprar? Por que ela vai ralar a alma dela, ter problemas de convivência com a família, pra começar a faturar 5 milhões por mês? POR QUÊ!?!?! Qual a necessidade? Eu não sei como uma pessoa pensaria em gastar 5 milhões por mês. Sério. Tem que queimar dinheiro na lareira! E as pessoas com fortunas de bilhões de reais, para que serve isso tudo?

Nosso modo de vida egoísta está nos destruindo. Não vai sobrar nada em pouco tempo. Precisamos mudar. E precisamos mudar logo. Precisamos com urgência desenvolver a noção de que não precisamos de tudo o que achamos que precisamos. Imaginemo que poderia ser feito se as 10 pessoas mais ricas do planeta doassem 10% dos seus bens para a ONU, e se esse dinheiro fosse bem gasto.

Vocês consegue imaginar? Pois é. Enquanto pessoas morrem de fome, outras pessoas usam seu dinheiro APENAS para ganhar MAIS DINHEIRO! Só eu acho isso estúpido? Espero que não.

 

Uma Nota sobre as Cotas

março 9, 2011

Sinto que serei crucificado por esse texto, mas preciso escrevê-lo.

Tive uma discussão recentemente sobre o sistema de cotas para negros nas Universidades. Disse a meu interlocutor, ávido defensor dessas medidas de “inclusão social”, que acho o sistema de cotas raciais uma das maiores ATROCIDADES da história desse país. Como não defendo um ponto sem argumentos, vamos a eles.

Qual a justificativa para que haja um sistema de cotas raciais nas universidades públicas? Que os negros não conseguem entrar, certo? Certo. Mas por que eles não conseguem entrar? Por que são negros? Se você respondeu sim a essa pergunta, pare de ler meu blog, compre uma bigorna, amare-a ao seu pescoço e pule de um transatlântico. Não, não é por isso.

O problema do Brasil é com a nossa PATÉTICA concentração de renda e com nosso histórico colonial e escravista, os negros são, em sua grande maioria, pobres. E hoje em dia entrar numa universidade pública é algo que demanda um certo investimento. Isso torna tudo muito simples. Os POBRES não entram na universidade. Não os negros. Os POBRES. Eu não seria, sob hipótese alguma, contra medidas que facilitassem a entrada de POBRES na Universidade. Mas as que facilitam a entrada de negros são, no mínimo, RACISTAS.

A mensagem que essas medidas passam é que os negros não conseguiriam entrar na Universidades sozinhos, mesmo que tivessem as oportunidades que os ricos têm. Afinal, as cotas são para negros. E negros ricos ainda são negros, não? Se eu fosse um negro e entrasse numa Universidade por um programa de cotas raciais, eu não conseguiria colocar minha cabeça no travesseiro a noite. Me foi dito que medidas para os negros e para os pobres são coisas muito parecidas, dado que a grande maioria dos pobres é negra. A isso eu respondo: “Ah é? Foda-se.” Mesmo que 100% dos negros do país fossem pobres, as cotas raciais AINDA seriam racistas.

Por que então essa ABERRAÇÃO foi pra frente? Simples, por que ela, por mais que seja racista, não parece. Se você não sentar e pensar a respeito, ela realmente parece uma medida de inclusão, contra o preconceito. MAS NÃO É! Ela vai fazer sucesso entre a grande maioria dos negros, por motivos óbvios. Vai fazer sucesso entre a maioria dos brancos também, por que a maioria deles (assim como a maioria dos negros) não tem o senso crítico necessário para notar essa estupidez. A como o sucesso da medida viraria sucesso nas urnas, ela é uma boa idéia para os políticos.

Em um nível mais ideológico, essa medida é uma boa idéia por outros motivos. Combater o preconceito racial DE VERDADE é difícil. O trabalho de conscientização é enorme e complicado. E o tempo para os resultados não é medido em anos, mas em gerações. Uma medida de “inclusão” que não inclua ninguém de verdade é uma excelente maneira de manter tudo como está fingindo estar trabalhando pra mudar algo.

O que é preciso hoje não é um sistema de cotas. É necessário que os negros não se sintam mal por serem chamados de negros. É preciso que as piadas de negros sejam tão ofensivas quanto as piadas de loiras. Pelo amor de Deus, é preciso que não se tenha medo de chamar um NEGRO de NEGRO! E que um negro não se ofenda por ser chamado de negro! Tratar um negro de uma maneira diferenciada pelo fato de ele ser negro NUNCA será uma maneira de acabar com a discriminação racial.

(Eu sei que o sistema de cotas foi destinado aos negros, pardos e índios, mas ia dar MUITO trabalho escrever isso toda hora, e a nível de preconceito, acho que o com o negro é o mais marcante mesmo, então escrevi só a parte dos negros mesmo.)

Uma Nota sobre a Polícia

março 9, 2011

Virou moda atualmente criticar o trabalho da polícia. Esta semana houve uma “tentativa de invasão” da Moradia Estudantil da Unicamp pela Polícia Militar. Digo entre aspas pois a polícia não invadiria porcaria nenhuma. Eles foram CHAMADOS para entrar. Para cumprir uma ordem judicial. Reclamar para a PM é tão inteligente quando xingar a mão de alguém depois de levar um soco. Reclamar da “invasão”  da PM usando o fato de ela não poder entrar na universidade como argumento é uma prova cabal de ignorância. Eu nem posso garantir que a maioria das pessoas REALMENTE saiba por que a PM não pode entrar nos campi universitários sem permissão. Mas esse é só o começo do problema.

O que realmente me deixou nevoso com essa história toda foram os comentários do tipo: “eles não vem para conversar” e “já chegam intimidando, com arma na mão”. Eu vi os vídeos. De fato haviam PMs com armas em punho. Escopetas e fuzis. Sabem por que? PORQUE NÃO EXISTE UM COLDRE PARA UMA ESCOPETA! É mesmo tão difícil assim pensar nisso? Não havia UM só PM com uma pistola ou um revolver na mão. Estavam guardados no COLDRE! Se reclamassem que eles estavam APONTANDO as armas para alguém, eu entenderia. MAS ELES SÓ ESTAVAM SEGURANDO PORRA! E quanto a PM não vir para conversar, é óbvio que eles não vem para conversar. A Polícia é o BRAÇO da lei. Quem conversa não é o braço.

A Polícia MILITAR é um exército e funciona como tal. Ela recebe uma ordem do governo e a cumpre. Ela não faz parte, assim como a Força Aérea não faz, das negociações. Quando a polícia for envolvida, a conversa já terminou, assim como quando uma guerra se inicia (teoricamente) as alternativas menos destrutivas já foram tentadas. Suas opções são enfrentar o polícia (o que é altamente não recomendável) ou deixar os soldados cumprirem seu dever. Se você quiser enfrentar a polícia na força, esteja preparado para que eles te enfrentem com FORÇA de volta. É estupidez pensar que você, estudante da Unicamp, vai dar um bica num cara com uma porra de um cassetete (num caso leve, ele pode estar com balas de borracha ou mesmo munição letal) e sair ileso. É pouco provável que você saia ileso de uma bica no seu vizinho! Enfrentar a polícia na força só é uma boa idéa se você tiver COMO enfrentar a políca na força. Se não, prepare-se para se machucar. Se você for um pouco mais inteligente que a maioria dos ativistas de hoje em dia, você vai deixar a polícia cumprir o seu dever, e reclamar como a lei permite. Se você estiver do lado errado da lei, AZAR O SEU.

Agora vocês me dirão que a lei nem sempre é lusta. E eu direi: “eu sei”. Mas enfrentar a polícia e desrespeitar a lei não resolverá esse problema resolverá? A única coisa que pode resolver esse problema é VOCÊ, meu caro cidadão brasileiro, parar de eleger IDIOTAS e CORRUPTOS como deputadores federais, deputados estaduais ou vereadores. Enquanto o TIRIRICA for o deputado federeal mais votado desse país, nós MERECEMOS sofrer com leis estúpidas e injustas. Enquanto o Maluf ainda tiver o DIREITO de se candidatar a vida pública, nós merecemos isso.

Notem que eu não defendo com esse texto nenhum tipo de abuso de poder. Eu só estou cansado de ver homens que arriscam suas vidas para tentar dar um mínimo de segurança para a população desse país serem destratados, ridicularizados e demonizados por fazerem seu trabalho. E de isso ser feito por pessoas que não tem um pingo de senso crítico, apenas por que de uns tempor pra cá ofender a polícia virou lugar comum.

Temos problemas com a lei no Brasil? Temos, sem dúvida. Mas atirar pedras na PM não vai resolvê-los.

“Conhece-te a ti mesmo”

fevereiro 22, 2011

Conversei hoje com uma pessoa que (me pareceu) achar que eu tinha uma imagem horrível dela. Disse-lhe que eu não poderia ter dela uma idéia ruim por não conhecê-la. E a resposta dela foi “Engraçado”.  Quando perguntei por que ela achava engraçado, respondeu-me que ela não acreditava ser possível conhecer pessoas de verdade. Disse que convivemos com nós mesmos por uma vida e não chegamos a nos conhecer. Nesse ponto discordei dela, pois acredito sim que podemos nos conhecer. Eu pelo menos acredito que conheço a mim mesmo, e acredito conhecer outras pessoas que se conhecem tão bem ou melhor do que eu me conheço. Mas conhecer a nós mesmos não nos dá, por si só, a capacidade de conhecer a outras pessoas. O questionamento sobre as outras pessoas, portanto, fica em aberto. Conseguimos MESMO conhecer outras pessoas?

Essa pergunta é complicada, pois é complexo para mim analisar sequer O QUE É conhecer outra pessoa. É saber no que ela acredita? É saber por que ela acredita? É conseguir antecipar suas reações ou decisões? A meu ver, é uma combinação de tudo isso e mais algumas coisas. Conhecer alguém é saber quem ela é e por que ela é quem ela é. Não fácil dizer que você sabe essas coisas sobre um outro ser humano, quando a maioria das pessoas não parou para pensar nessas coisas sequer sobre elas mesmas. Creio que eu demore muito para dizer que eu conheço uma pessoa por querer ter todo esse conjunto de informações em minha mente antes de acreditar realmente que isso seja verdade.

Eu acho que o grande problema em se conhecer as pessoas de verdade hoje em dia seja o fato de as pessoas não se conhecerem de verdade. Talvez seja preguiça, talvez seja este mundo que dá valor a coisas tão estranhas, mas as pessoas não pensam sobre a pessoa mais simportante da vida delas: elas mesmas. É assustadoramente comum ver pessoas com opiniões sobre as quais nunca pensaram. Pessoas com razões tão bem fundamentadas que são desarmadas no primeiro por quê. Não é necessário ser um ás da oratória para deixar a grande maioria das pessoas hoje sem resposta para questões muito simples.

Quando as pessoas acabam por tentar se conhecer, outro problema aparece: elas não se aceitam. Não estou me referindo aqui às pessoas que não aceitam seus corpos. Se acham gordos demais, magros demais, altos demais ou qualquer outra coisa desse tipo. Estou dizendo das pessoas que não aceitam quem são. Vários são os motivos. Muitas vezes nos recusamos a admitir nossos próprios defeitos, negando a existência deles ou conseguindo um motivo, uma justificativa, que nos permita dormir a noite sabendo de sua existência mas sem pensar em mudá-lo.

A todos que lerem este texto, fica o conselho: conhecer a você mesmo é a coisa mais importante da sua vida, mas a segunda coisa, e a diferença é muitp pequena, é aceitar a você mesmo. Notem também que aceitar seus defeitos não é, de forma alguma, conformar-se com eles. Aceitá-los é reconhecer sua existência. E nenhum mal, por menor que seja, pode ser combatido até que sua existência seja reconhecida. Aí surge uma nova pergunta: O que dentro de nós é um defeito?

Há quem diga que defeitos e qualidade são coisas subjetivas. Eu discordo. Existem sim, defeitos absolutos. A falta de consideração pelos sentimentos alheios, o uso do poder como meio de ganho pessoal. Esses são defeitos e serão defeitos qualquer que seja a situação, o credo ou os motivos daquele que os têm. Mas há os defeitos que incomodam apenas a nós mesmos. Portanto, excetuando-se os defeitos absolutos, eu considero um defeito qualquer característica de uma pessoa que incomode a ela ou àquelas com quem ela convive. Há um ponto importante aqui. Por mais que eu considere como um defeito aquilo que eu faço que incomoda as pessoas com quem eu convivo, eu acredito que a decisão de tentar alterar algo em você mesmo cabe ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE a você. Se você não acha que uma característica sua precisa ser mudada, e se ela não for um defeito absoluto, NÂO MUDE. A pessoa que muda a si mesma sem que concorde com a mudança está se mutilando de uma maneira muito pior do que qualquer torturador da Idade Média poderia fazê-lo. E sofrerá em igual proporção.

O mundo tenta nos forçar valores, tenta nos forçar idéias, mas como Descartes disse, apenas devemos aceitar aquilo que ou nos é claro como verdade, ou que pode ser concluído daquilo que reconhecemos como verdade claras. Não é por que todo mundo acha que você tem que procurar uma loira magra e peituda pra namorar que você precisa fazer isso. Conheça a você mesmo, aceite a você mesmo e defenda a você mesmo. Essa é a única maneira de viver de verdade.


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