E como sempre uma conversa inocente acaba por gerar uma idéia que acaba virando um texto. Observe Esse diálogo padrão de fim de relacionamento:
-Eu achei que vocês fossem feitos um pro outro.
-Mas não deu certo.
-Por quê?
-Quando você está a muito tempo com uma pessoa, você começa a perceber coisas nela que você não via no começo sabe? Os defeitos e tal. Se as pessoas não souberem como trabalhar isso, o relacionamento acaba mesmo.
Que atire a primeira pedra aquele que nunca presenciou/paticipou de uma conversa como essa. Essa conversa leva a dois questionamentos interessantes: Existe casais “feitos um para outro”? E o que é necessário para que um relacionamento “dure para sempre”?
O que é necessário para que um relacionamentos “dure para sempre”? Uma hipótese aceitável é que é necessario que nenhuma das partes envolvidas precise suportar uma situação desagradável por tempo o bastante para que sua paciência se esgote. Uma das soluções para esse problema é que ambas as partes tenham um paciência que tenda a infinito. Mas como todos sabem, essa é um probabilidade ridiculamente pequena e podemos excluí-la de nossa análise sem perda de generalidade. Outra solução, mais aceitável, é que as pessoas sejam parecidas o suficiente para que possam passar a maior parte de seu tempo sem que precisem gastar sua paciência. Caso seja possível verificar que as pessoas satisfazem essa condição, o relacionamento pode durar para sempre. Esses seriam os casais ditos “feitos um para o outro”.
Verificaremos agora se existem casais “feitos um para o outro”. Primeiro vamos definir “feitos um para o outro”, pois isso facilitará a análise da problema como um todo. Tomemos como hipótese que “feitos um para o outro” significa que um casal que vai dar certo a não ser que eventos fora do controle de pelo menos uma das partes consigam tornar o relacionamento insuportável, que é uma forma mais simples do resultado da análie anterior. Tomando como espaço amostral todas as pessoas do planeta, é razoável assumir que em algum lugar existam duas pessoas com gostos e opiniões parecidas o bastante para que eles satisfaçam as condições para serem ditos “feitos um para o outro”. Logo, supondo que essas pessoas estejam próximas o suficiente para que se encontrem, existirá um casal feito um para o outro. Esse modelo parece perfeitamente plausível, mas como “para sempre” é uma variável temporal, precisamos analisar como as partes envolvidas se comportarão ao longo do tempo.
Se ambas as partes forem entidades estáticas, constante com relação ao tempo, o modelo acima deixa claro que existem casais “feitos um para o outro”, e que portanto tudo o que é necessário para que um relacionamento dure para sempre é que o casal seja “feito um para o outro”. No entanto, assim como a paciência infinita, podemos excluir essa possibilidade sem perda de generalidade, pois seres humanos são entidades dinâmicas. A única solução é, então, que as variações temporais ocorridas em cada uma das partes não sejam parecidas o bastante para que não deixem a vizinhança estabelecida pelas condições de “feitos um para o outro”. A análise que determina as condições para que isso aconteça é extremamente complexa e não nos interessa no momento, portante usaremos apenas seu resultado. É necessário que ambas as partes tenham “sorte”. Portanto, caso o casal se encaixe inicialmente nas características de “feitos um para o outro” e tenha “sorte”, seu relacionamento pode vir a durar para sempre.
Note que a definição de “feitos um para o outro” inclui o esforço das partes em lançar mão de sua paciência e que, portanto, durar para sempre não é apenas uma questão de “sorte”.
Da análise destas duas perguntas, podemos chegar a conclusão de que um relacionamento “para sempre” é fruto de paciência e sorte.
(Agradecimentos a Ederson “Jaul” Ferreira de Jesus e Mateus Veronez pela ajuda na análise complexa que resultou na “sorte”)