O Diário do Caçador (Parte 2)

janeiro 22, 2010 por fedoofhell

Mathew voltava de um dia longo de trabalho. Os braços doíam um pouco, carregar aquele peso todo não era fácil para um garoto de dezoito anos, mas o dinheiro vinha e  elas precisavam. Sabia que quando abrissea porta de casa o cheiro do jantar não tardaria a chegar ao seu nariz, e isso faria qualquer dor sumir num instante. Anna, sua mãe, era uma cozinheira dos diabos. Buscou a chave no bolso da jaqueta surrada mas, antes que ela encontrasse a fechadura, ouviu o conhecido som de vidro se quebrando. Apressou-se para abrir a porta, conhecendo o cenário que o esperava.

A garrafa quebrada ao chão tirou qualquer dúvida, e ele sabia que o pai havia resolvido dar as caras novamente. “Bêbado desgraçado” foram as duas primeiras palavras que cruzaram sua mente. A voz embriagada de seu pai por instante encobriu os gritos de sua mãe, mas não conseguiu fazer com que ele deixasse de ouvir o choro de sua irmã. Discutiam alguma coisa. O garoto notou que, mesmo para aquele bêbado maldito, o tom de voz parecia mais agressivo que o normal. Confirmou sua suspeita quando chegou à cozinha e o viu jogar a pequena Mary de encontro a mesa. Anna correu para ajudar sua filha, mas foi detida pelo corpulento ex-marido. Mathew percebeu que ele havia passado dos limites. Ele teria que tomar uma atitude. Correu até o pai, jogando seu corpo contra o dele. Apesar de ter apenas 18 anos, Mathew trabalhava a três descarregando caminhões de batatas, sendo mais forte que a média dos garotos de sua idade. Por herança de seu pai era também maior que a maioria das pessoas, tendo quase dois metros de altura, o que tornou fácil jogar aquele bêbado pra longe de sua mãe.

- Tira a Mary daqui mãe, eu tomo conta dele.

Anna assentiu, pegou a garota de 12 anos pela mão e foram para a sala. Thomas levantou-se com dificuldade, parte pelo uísque barato e parte pela força do golpe do filho. Resmungou alguns xingamentos, e ameaçou partir em direção a Mathew novamente, mas foi detido pelo olhar firme do garoto. Algo na postura daquele moleque fazia com que ele se sentisse mais fraco. Mesmo bêbado como uma cabaça ele percebia que nada faria seu filho recuar naquele momento. Decidiu-se então por uma saída mais simples e cambaleou até a porta dos fundos, dizendo algo que soou como um “eu voltarei”, e desapareceu na noite.

O Diário do Caçador (Parte 1)

janeiro 21, 2010 por fedoofhell

Ele fechou a porta do quarto, sabendo que em poucos minutos tudo estaria acabado. Não era a primeira vez e certamente não seria a última em que ouviria aqueles gritos de desespero. Ele não escaparia. Nunca mais machucaria alguém. Sentiu-se bem com esse pensamento. Em menos de dez minutos o sol começava a clarear a sala da pequena cabana, e os gritos começaram. Por três minutos o maldito gritou, e por três minutos ele não ouviu mais nada. Apenas a dor daquele filho da puta. Ele merecia. Todos esses malditos chupadores de sangue mereciam. Quando o barulho terminou, ele abriu a porta outra vez. Saboreou aquele cheiro como se fosse a primeira vez. O quarto ainda estava um pouco quente, mas não restara nada de sua vítima. Um sanguessuga a menos no mundo, pensou consigo enquanto aspirava as cinzas do vampiro.

Saiu do quarto, levando consigo o cadáver na bolsa do aspirador. A noite passada havia sido, sem sombra de dúvida, uma merda. Passou a mão por sua perna, sentindo o ferimento a bala que aquele desgraçado tinha lhe dado. Graças ao bom e velho destino, a bala pegara de raspão, sendo apenas um corte queimado. Além de não ter nenhuma informação útil sobre Toshio, o filho da mãe ainda lhe metera uma bala. Jogou os restos de sua noite improdutiva no jardim e voltou para dentro.

Sentiu o sono pela primeira vez desde que saíra da cama. O peso da luta com um ser sobrenatural pesou em seus braços e pernas quando ele se deixou cair sobre o colchão que lhe servia de cama. Esfregou os olhos com as mãos, numa futil tentativa de deixá-los abertos mais um minuto, e a sentiu. Ela ainda estava lá. A pele deformada, resultado de uma queimadura provocada por aquele maldito vampiro japonês. Mais de 15 anos o separavam daquele momento,  mas ele podia senti-lo. E foi pensando em vingança que ele adormeceu.

Versões

novembro 30, 2009 por fedoofhell

Muitas vezes já fui criticado por amigos por não ser capaz de tomar um lado de pronto numa briga entre duas pessoas após ouvir o relato de uma delas. Sempre dizia que não poderia tomar uma posição sem conhecer ambos os lados da história. Muitas vezes isso já deixou amigos meus num humor extremamente desagradável. Hoje em dia, mais do que nunca, eu vejo que minha posição é correta.

A pouco tempo, fui eu a pessoa que brigou com alguém, e que ficou sujeita a uma versão, no mínimo, irreal do que realmente havia acontecido. E não apenas isso, pessoas que eu considerava de bom senso não só acreditaram na versão da outra parte, como em virtude dela mudaram seu tratamento para comigo. SEM NEM AO MENOS OUVIREM A MINHA VERSÃO DA HISTÓRIA.

Por isso deixo a todos o recado: antes de brigarem com alguém por que um amigo seu brigou, ouçam os dois lados da história para que no mínimo, odeie pessoa pelos motivos corretos.

O CAOS!!!!! O CAOS!!!!!!

novembro 30, 2009 por fedoofhell

E depois de um longo e tenebroso sumiço eu tenho escrever um texto que precisa ser escrito para que todos compreendam o quanto uma coisa que parece perfeita pode dar errado. Vamos a ele:

 

Imaginem-se numa sexta feira de manhã. Imaginem também que essa sexta é a véspera de um evento que você vem ajudando a organizar a meses. Agora, prepare-se para enteder o que é o VERDADEIRO caos.

Acordei as oito da manhã e fui até o LH2 começar a trabalhar para dar os ajuestes finais na coisa toda. Tudo correu bem até umas 10:00, qando a história toda começou a desabar: NENHUMA, eu disse NENHUMA empresa de aluguel de mesas ou cadeiras atendia a porcaria do telefone. Eu precisei ligar pra mais de 20 DELAS! Mas esse foi um dos problemas fáceis. Agora vamos aos ônibus. Tinhamos um empresa com a qual sempre trabalhavámos, mas logo nesse fim de semana, nosso ônibus foi parar na oficina. Isso não seriaum problema se TODAS as outras empresas não quisessem um depósito na conta delas em uma hora e meia para que agente conseguisse contratar o serviço. Esse deu mais trabalho, mas conseguimos resolver. Foi aí que a coisa que ficou feia. De 10 em 10 minutos a louca da Natacha me ligava e me dava mais alguma coisa pra fazer, mais alguma pessoa pra eu ligar, eu já tinha tantos post-its na minha mesa que eu nao conseguia ler o que tava no monitor. Nesse momento, descubro que o CDC da Unicamp não poderia mais nos emprestar o equipamento de som. Começo a ligar desesperadamente para todos os meus amigos que teriam alguma chance de ter uma caixa de som e um microfone. Graças a Deus, ao Trefilio, ao outro Fedô e ao Renanzinho, esse problema foi resolvido. Aí vem o diálogo do fim de semana: Toca o telefone e escuto a Natacha: ” Fedo, arranja o telefone de um guincho que o radiator do carro explodiu” ao que eu respondo “Você tá brincando né?” e resposta já esperada mas considerávelmente temida: “Não, é sério”. Enquanto isso, o Maconi estava no SESC completamente alheio a essa merda mole toda. Ligo pra ele e digo “Marconi, toca pra rodoviária, almoça e volta pra Barão de ônibus que o radiador da Parati explodiu” e ele me responde “Tem um problema, eu to sem dinheiro” e eu “tem banco na rodoviária” e ele me dá mais um golpe: “eu to sem dinheiro e sem a minha carteira”. QUE ESPÉCIE DE SER HUMANO SAI DE CASA SEM A PORRA DA CARTEIRA!?!?!?!?! Novamente graças a obra e graça do divino, agente descobre que o lugar onde o carro parou é perto do SESC, e a múmia do Marconi volta pra casa de guincho. Nesse meio tempo, eu estava procurando loucamente telefones de oficinas em Barão, mas essa cidade fecha as seis da tarde, e isso já era umas.. dexa eu ver… SEIS E CINCO. No fim, voltei pra casa e fiquei esperando notícias deles. Chega um rapaz que mora comigo e me oferece comida, e eu descubro, apenas nesse momento, que eu não tinha comido merda nenhuma desde as nove da manhã! E nem tinha tido tempo de ficar com fome!! Comi que nem um animal, e quando eu terminei, Chega o Diego com o carro, que ainda estava um pouco zuado. Toca pro LH2 de novo, e vamos nós tentar arrumar o carro do Diego. Ficamos nessas até uma meia noite, e foi aí que começamos a fazer o que agente devia ter começado a fazer as seis da tarde. Ficamos lá mais ou menos até umas 5 da manhã, quando eu notei que eu tava tão cansado que medi o mesmo parafuso 6 vezes pra ter certeza que ele era igual a um outro. Nesse momento eu resolvi voltar pra  casa pra dormir, afinal eu já não ia servir pra mais nada ali. Voltei, dormir até as seis e meia, quando fui acordado pelo Renanzinho pra pegar o som. Dormi novamente até umas nove, quando o Diego brotou do lado da minha cama pra me acordar. Fui pro LH2 mais uma vez, pra descobrir que nada do que tentaram fazer no tempo que eu estava fora deu certo. NADA.  Subi até a física, pois  era hora de carregar o ônibus com ajuda dos nossos monitores. Que monitores? UMA MONITORA e SÓ! Ainda bem que  surgiu o Lucas, um amigo da Natacha, pra ajudar a carregar o ônibus. Carregamos o ônibus e tocamos pro SESC. Aí começo mais uma loucura, a de montar os experimentos. Essa foi até umas duas e meia, entre montaar coisas, carregar coisas, desmontar coisas, mudar coisas e lugar, e novamente por sorte o Costa do Laboratório de Ótica apareceu lá pra dar uma mãozinha. Essa loucura durou até umas duas e meia, quando o pessoal que ia participar começou a chegar. As coisas ainda não estavam prontas, e eu enrolei o pessoal pra que eles não notassem o tamanho da encrenca. Quando chegou a hora que não dava mais pra enrolar, começamos os jogos cooperativos, tirando a Marconi da sua (inútil) tarefa de montar cavaletes. Terminado esses jogos, eu comecei a passar com as pessoas pelos experimentos, EU e APENAS eu, com um grupo de vinte pessoas que variavam da 5ª série até a o terceiro colegial. Isso também foi considerávelmente caótico. Quando tudo isso terminou e eu mandei as pessoas pra Oficina Desafio, o Diego apareceu e disse: “ou, vamos comer” e novamente eu me dei conta de que eram 5 e meia da tarde e eu não só não havia comido como também não tinha sentido fome. Nessa hora, o evento terminou. Mas com ofim do evento vem uma outra tarefa do mal: desmontar tudo aquilo. Imagine um evento planejado pra ser montado e desmontado em 15 pessoas, pelo menos, sendo desmontado por 5. e dessas cinco, duas eram mulheres, e não carregaram a parte realmente pesada. No fim, quando o ônibus e o carro do diego estavam carregados, eu e o Marconi só conseguíamos pensar na nossa cama. Fomos voltar pro LH2 pra descarregar tudo, e no caminho eu dormi como um bebê. Me acordaram pra  eu avisar que tinhamos parado no lugar errado, e pra conduzir o ônibus até o lugar certo. Novamente eu e o Marconi descarregamos tudo. Então eu fico sabendo que o carro do Diego, onde tinha mais UM MONTE de coisa pra descarregar a guardar, tinha PARADO DE NOVO e estava lá no pé do morro do LH2. Decidimos largar ele lá, e descarregamos apenas o estritamente necessário dele. Nesse momento respirar já era um tarefa dolorosa. Terminamos de arrumar tudo por volta das sete da noite, e aí nos demos conta deque teríamos que voltar do LH2 pra casa A PÉ! Eu não sobreviveria, e nessa hora fomos salvos pelo já famoso computêro. Se o Thiago não tivesse em casa com um carro pra pegar agente no LH2 e trazer pra casa, eu acho que eu ainda estaria lá. Cheguei em casa, fiz uma linha reta até uma rede enquanto o Marconi tomava banho. Deitei da rede e em menos de um minuto não estava mais nesse mundo. Acordei meio molhado, por que estava CHOVENDO em mim, e me mudei até um sofá. Novamente em menos de um minutos eu já não estava mais no mundo dos vivos. Acordei dessa vez com o (*¨#$@!%&&¨¨)(*(()%$#@%$%$&¨*(*$&#&¨do Filipe me cotucando com um guarda chuva. Fui atéo banheiro e tomei um banho que eu não sei quanto tempo levou, e que foi tomado inteiramente sentado, pois eu não aguentava mais ficar em pé. Terminei o banho e como não estava com tanto sono ainda visto que tinha dormido umas três horas, fui pro pc. Fiquei nele até a uma da manhã e fui dormir. Acordei hoje precisamente as 18:10, o que me dá cerca de DEZESSETE HORAS de sono ininterrupto e tive que ir novamente ao LH2 pra terminar de arrumar o caos em que tinhamos deixado o laboratório. Finalmente tudo acabou e eu pude voltar pra casa pra escrever esse texto.

E aí? é mole ou quer mais?

Água nele!!!!

setembro 24, 2009 por fedoofhell

Hoje, na casa mais aleatória do mundo, aconteceu a coisa mais aleatória do mundo. O idiota do Pedrão mando o idiota do Filipe jogar um copo de água no idiota do Fedô. Ele jogou, e alguns minutos depois os idiotas do Filipe e do Pedrão estavam escondidos em um quarto enquanto o idiota do Fedô esperava do lado de fora com um balde. Uma hora eles cansaram de se esconder e decidiram comprar a briga, saindo do quarto em direção ao quintal, onde o idiotado Pedrão montou uma linha de defesa com uma mangueira.

Ficaram nessa enrolação até que o idiota do Fedô resolveu que ia molhar um dos dois, nem que tivesse que se ensopar pra isso. E assim foi. No fim, os três idiotas estavam ensopados e com frio, mas rindo como só os idiotas podem.

E é por isso que essa é a casa mais idiota que eu conheço e deve ser por isso que eu me sinto muito bem morando nela.

I faced it all, and I stood tall, and did it my way!

setembro 18, 2009 por fedoofhell

Escrevi a pouco tempo num post aqui sobre como eu sentia falta do tempo em que pessoas viviam e morriam por suas convicções. Hoje, após uma reflexão proporcionada por duas doses de tequila, resolvi falar novamente sobre isso.

O que são convicções? Nos diz o dicionário que uma convicção é uma certeza obtida através de fatos ou razões que não deixam espaço para dúvidas. Uma definição bastante clara, mas que nos mostra como hoje em dia é difícil encontrar uma pessoa com convicções reais. Você leitor, tem alguma convicção? Você acredita em algo além de qualquer dúvida?

Numa conversa a poucos dias, ouvi de uma amiga que ela deixaria suas convicções de lado para evitar algum tipo de problema, seja para ela ou para outros. Minha resposta foi “se você pode deixar de lado, isso não é uma convicção”. Pensar sobre isso hoje me fez criar uma nova hipótese. Talvez a confusão em que nossas mentes vivam nos dias de hoje seja resultado de uma falta de convicções. Talvez toda a falta de conhecimento sobre nós mesmos que nos assola atualmente seja uma simples falta de um conjunto de crenças para nos definir. Não seria o medo de não sermos aceitos por nossas prórprias idéias um motivo para abandonarmos nossas crenças? Será que esse não é o motivo que faz com que pessoas se olhem no espelho e não saibam quem estão vendo? Eu, obviamente, me incluo nesse grupo de pessoas que costuma se olhar no espelho sem se reconhecer.

Viver sua vida à sua própria maneira não é fácil, e nem sempre temos a coragem de jogar algo fácil fora para fazer o que acreditamos ser o certo. Não direi aqui que suas convicções não precisam mudar durante toda a sua vida. Como já disse em outro post, pessoas são entidades dinâmicas, e como nossos pensamentos mudam, nossas convicções mudam.

Você que leu isso, observe suas convicções e veja se você costuma agir de acordo com elas, mesmo nas situações mais complicadas. Se você consegue fazer isso em mais de metade do tempo, você é meu herói.

Humilhados

setembro 11, 2009 por fedoofhell

1) Fedo – Goiano, você usou meu fone de ouvido?

Goiano – Sim… por que?

Fedo – Por que ele tá muito largo! auhauhauhau

Cabeçudinho!!

2) Pedrão – Ia precisar de um conjunto limitado e infinito.

Fedo – Isso não faz sentido!

Trefilio (AKA cara da letras) – Claro que faz. O intervalo entre 0 e 1 é infinito e limitado

Fedo – ………………………………………….

Nessa eu fui humilhado.

Para Sempre

setembro 5, 2009 por fedoofhell

E como sempre uma conversa inocente acaba por gerar uma idéia que acaba virando um texto. Observe Esse diálogo padrão de fim de relacionamento:

-Eu achei que vocês fossem feitos um pro outro.

-Mas não deu certo.

-Por quê?

-Quando você está a muito tempo com uma pessoa, você começa a perceber coisas nela que você não via no começo sabe? Os defeitos e tal. Se as pessoas não souberem como trabalhar isso, o relacionamento acaba mesmo.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca presenciou/paticipou de uma conversa como essa. Essa conversa leva a dois questionamentos interessantes: Existe casais “feitos um para outro”? E o que é necessário para que um relacionamento “dure para sempre”?

O que é necessário para que um relacionamentos “dure para sempre”? Uma hipótese aceitável é que é necessario que nenhuma das partes envolvidas precise suportar uma situação desagradável por tempo o bastante para que sua paciência se esgote. Uma das soluções para esse problema é que ambas as partes tenham um paciência que tenda a infinito. Mas como todos sabem, essa é um probabilidade ridiculamente pequena e podemos excluí-la de nossa análise sem perda de generalidade. Outra solução, mais aceitável, é que as pessoas sejam parecidas o suficiente para que possam passar a maior parte de seu tempo sem que precisem gastar sua paciência. Caso seja possível verificar que as pessoas satisfazem essa condição, o relacionamento pode durar para sempre. Esses seriam os casais ditos “feitos um para o outro”.

Verificaremos agora se existem casais “feitos um para o outro”. Primeiro vamos definir “feitos um para o outro”, pois isso facilitará a análise da problema como um todo. Tomemos como hipótese que  “feitos um para o outro” significa que um casal que vai dar certo a não ser que eventos fora do controle de pelo menos uma das partes consigam tornar o relacionamento insuportável, que é uma forma mais simples do resultado da análie anterior. Tomando como espaço amostral todas as pessoas do planeta, é razoável assumir que em algum lugar existam duas pessoas com gostos e opiniões parecidas o bastante para que eles satisfaçam as condições para serem ditos “feitos um para o outro”.  Logo, supondo que essas pessoas estejam próximas o suficiente para que se encontrem, existirá um casal feito um para o outro. Esse modelo parece perfeitamente plausível, mas como “para sempre” é uma variável temporal, precisamos analisar como as partes envolvidas se comportarão ao longo do tempo.

Se ambas as partes forem entidades estáticas, constante com relação ao tempo, o modelo acima deixa claro que existem casais “feitos um para o outro”, e que portanto tudo o que é necessário para que um relacionamento dure para sempre é que o casal seja “feito um para o outro”. No entanto, assim como a paciência infinita, podemos excluir essa possibilidade sem perda de generalidade, pois seres humanos são entidades dinâmicas. A única solução é, então, que as variações temporais ocorridas em cada uma das partes não sejam parecidas o bastante para que não deixem a vizinhança estabelecida pelas condições de “feitos um para o outro”. A análise que determina as condições para que isso aconteça é extremamente complexa e não nos interessa no momento, portante usaremos apenas seu resultado. É necessário que ambas as partes tenham “sorte”. Portanto, caso o casal se encaixe inicialmente nas características de “feitos um para o outro” e tenha “sorte”, seu relacionamento pode vir a durar para sempre.

Note que a definição de “feitos um para o outro” inclui o esforço das partes em lançar mão de sua paciência e que, portanto, durar para sempre não é apenas uma questão de “sorte”.

Da análise destas duas perguntas, podemos chegar a conclusão de que um relacionamento “para sempre” é fruto de paciência e sorte.

(Agradecimentos a Ederson “Jaul” Ferreira de Jesus e Mateus Veronez pela ajuda na análise complexa que resultou na “sorte”)

And then there was silence

agosto 31, 2009 por fedoofhell

Um fim de semana como qualquer outro, vindo após uma semana como qualquer outra. Os mesmos sentimentos de sempre, exceto por aquela vozinha no fundo da sua mente que você simplesmente não compreende. Uma mensagem que te acalma. Uma lua que nenhum japonês está vendo e uma conversa que nenhum americano está ouvindo. O inesperado doce e agradável sabor da ameixa terminando, dando lugar ao familiar sabor do carvalho. A raiva. Os dentes em meu joelho. O sono.

O também familiar despertar que se segue a uma noite como aquela. A voz continua lá, ou será só a dor de cabeça? Não importa muito mesmo, você tem mais o que fazer e mais com o que se preocupar. Horas alegres pouco antes do começo da nova semana. O sono merecido após a longa viagem.

A Marcha das Valquírias oito vezes. A mensagem não respondida. O farto almoço. A tarde de inesperada diversão. A tão distante tranquilidade, e então o silêncio.

Onde Está o Cavalo e o Cavaleiro?

agosto 26, 2009 por fedoofhell

“Where is the horse and the rider? Where is the horn that was blowing? They have passed like rain in the mountains. Like wind in the meadow. The days had come down to the worst, behind the hills in the shadows. How did it come to this?”

Essas são as palavras de um grande rei sobre tempos ruins. Nosso tempo não é tão ruim quanto o final da guerra do Anel era para Théoden, mas vejo que são sim ruins. Não nos falta o cavalo e o cavaleiro, nem a corneta anunciando a batalha próxima. Mas sentimos falta de algo.

Não posso dizer por todos, mas eu sei do que eu sinto falta. Eu sinto falta do tempo em que pessoas viviam por seus sonhos. Um tempo em que realmente acreditavam em seus ideais. Um tempo em que a verdade e a honra eram as coisas mais importantes na vida de alguém. Um tempo em que morreriamos felizes cruzando espadas com um inimigo se estivessemos defendendo o que acreditávamos. Um tempo em que nos espelhávamos em pessoas que tinha vivido pela verdade, por pior que suas vidas tivessem sido ou terminado.

Nada disso acontece hoje em dia. Abandonamos nossos sonhos tão facilmente por uma vida mais fácil. Deixamos nossos ideais de lado assim que eles se tornam incovenientes. A sinceridade é tida quase que como uma fraquesa, e a honra como um conceito antiquado. Hoje tememos tanto a morte que muitas vezes nos esquecemos de viver por isso. Ninguém parece pensar que teve uma vida boa o bastante, e que pode deixar este mundo contente com o que fez. Nossos ídolos são os ricos e os famosos excêntricos, e não aqueles de alma humilde, que apesar de terem vivido uma vida inteira com dificuldade, conseguem manter um sorriso sincero no rosto.

Vivemos pensando mais no que os outros querem de nós do que no que nós queremos de nós mesmos. Odiamos nossos empregos, não estamos felizes com nossos salários, mas nada fazemos para mudar. Vivemos num marasmo que parece não ter fim. Talvez possamos culpar nosso tempo por isso, afinal, não temos uma guerra mundial para lutar ou uma ideologia para defender contra o outro lado do mundo.

Creio que nossa era seja a era em que lutaremos contra o pior de todos os nosso inimigos: nós mesmos. É chegada a hora de olhar dentro de nossos corações e enfrentar aquela partezinha negra que carregamos escondida lá no fundo. Nossos medos e nossos preconceitos. Nosso orgulho, nossa ganância e todas as outras formas de defeitos de caráter, mesmo aqueles que não estão entre os Sete Pecados Capitais.

Creio que temos sim nossa grande guerra, e que ela será tão difícil quanto qualquer uma das outras no passado. Creio também que nos sentimos tão perdidos por estarmos perdendo essa guerra. E perdendo feio. Talvez por não sabermos lutar contra nossos inimigos mais íntimos, talvez por sermos, de fato, nossos próprios lobos por natureza. Talvez precisemos de um momento em que nossa sobrevivência como espécie dependa claramente dessa vitória, mas não sei se vale a pena esperar por Klaatu para começarmos e nos preocupar com isso. Precisamos vencer a luta contra nós mesmos para que no futuro possamos nos unir realmente como uma só raça e fazer deste um mundo melhor.

Não vai ser fácil, mas me parece o único caminho.